Um assunto muito triste está em alta na última semana no X aqui no Brasil.
Um grupo de 4 adolescentes espancou e torturou com requintes de crueldade um cachorro comunitário na Praia Brava em Florianópolis, Santa Catarina. Orelha, um cachorro de 10 anos, foi deixado à míngua e precisou ser eutanasiado para abreviar sua dor.
O caso tomou repercussão nacional, pois o animal era socializável, não representando riscos a ninguém, e foi atraído pelo grupo de adolescentes com a premissa de uma interação amigável que acabou se revelando uma emboscada com a finalidade de torturar o animal que recebeu pauladas e teve um prego perfurando seu crânio e mandíbula deslocada, tamanha a brutalidade dos agressores.
Uma moradora local que ajudava a cuidar de Orelha e mais outros dois cachorros comunitários, sabendo que o haviam maltratado, foi procurá-lo e o encontrou agonizando na mata. Levou até o veterinário, mas devido à natureza das agressões, o animal foi submetido à eutanásia.
Relatos contam que não é a primeira vez que a gangue desses adolescentes maltratam animais e que já havia reclamações dos moradores acerca das condutas deles de perturbação da ordem pública com arruaças e xingamentos.
O mais chocante nesse caso é que os adolescentes agressores, entre 14 e 17 anos, são de classe média alta, pessoas com acesso à educação de qualidade, pessoas que não são privadas de nada e que escolheram como caminho serem maus e perversos. Eles já tinham noção da consequência de seus atos e entre os 4 não havia nenhum deles alguém que se opusesse à participar da carnificina ou dissuadir os demais de seus atos.
O caso se tornou público após um porteiro divulgar as imagens de segurança mostrando a ação dos adolescentes.
Nesse ponto, começamos a entender o porquê de os adolescentes se sentirem tão a vontade de cometer delitos sob a premissa de serem menores de idade e, portanto, estarem longe do alcance da lei que não pune com pleno rigor delitos cometidos por menores de idade.
O pai de um deles foi até o condomínio que trabalhava o porteiro e o ameaçou com arma de fogo para que ele não falasse nada sobre o caso. Em virtude disso, o porteiro foi afastado de suas funções, pois, além da ameaça direta, a síndica informou que havia "gente grande" envolvida no caso, se referindo à rede de contatos da família dos adolescentes.
Outras testemunhas em potencial também disseram que foram ameaçadas pelos pais. Há ainda os relatos dos perfis nas redes sociais que afirmaram que processariam todos que divulgassem informações sobre o caso, uma vez que os 4 adolescentes já foram identificados e suas imagens circulam nas redes.
Nas redes sociais, dizem que os adolescentes sequer estão mais no país, pois os pais os despacharam para o exterior até baixar a poeira convictos da impunidade que irá recair sobre eles.
A juíza responsável pelo caso declarou-se suspeita por ter contato íntimo com a família de um dos envolvidos, o que deixou um clima de desconforto, uma vez que "a declaração ocorreu dias depois dos fatos, período considerado sensível para diligências iniciais e decisões urgentes. Na prática, a mudança de condução pode ter contribuído para atrasos em medidas fundamentais – como buscas e apreensões, por exemplo -, o que tende a dificultar a responsabilização dos envolvidos." (Jornal Razão).
Tudo isso corrobora que uma forte rede de contato dos familiares e a certeza da impunidade que derrocou no excesso dos atos dos adolescentes que, não precisamos ir muito longe para perceber, não estavam sendo orientados e educados para serem nem bons cidadãos, nem boas pessoas, afinal, que pais não tomam atitudes ao saber das condutas de seus filhos e, sabendo que cometeram atrocidades, ao invés de ir corrigir seus filhos, saem por aí ameaçando terceiros?
Os moradores de Florianópolis foram às ruas se manifestar para que o caso Orelha seja analisado com todo o rigor da lei, embora de acordo com a legislação brasileira, menores de idade não sejam submetidos aos mesmo rigor da lei a que estão os adultos, o que por si só já é suficiente para deixar no ar o clima de impunidade cometido por adolescentes de famílias bem abastadas. Porém, a indignação só aumenta e a hashtag #JustiçaPorOrelha segue em alta nas redes sociais e também é possível saber por meio da hashtag os nomes dos autores e alguns dos responsáveis.
Eu estou muito abalada com o caso e nem vi o vídeo, pois eu não tenho estrutura emocional para isso. Gostaria de crer que esses adolescentes serão punidos, mas acompanhamos o caso do índio Galdino que foi queimado vivo por adolescentes em 1997 e nada aconteceu, inclusive, eles são concursados e um deles é até da Polícia Rodoviária Federal, cargo que só conseguiu ocupar por meio de ação judicial, leia-se apadrinhamento. Aqui no Brasil, quem tem contatos tem tudo mesmo e é por isso que esse caso do Orelha embrulha ainda mais o estômago, porque temos um vasto histórico de impunidade para os que tem acesso às instâncias de poder no país.
Até quando?
Confira mais detalhes sobre o caso do Orelha:
- 'Justiça por Orelha': o que se sabe sobre a morte de cão comunitário em SC que gera protestos e mobiliza celebridades. via G1
- Pai e tio de suspeitos pela morte do cão Orelha ameaçaram porteiro: “não sabe com quem tá falando”. Via Jornal Razão
- EXCLUSIVO: Juíza se declara suspeita para julgar assassinos do cão ‘Orelha’ em Florianópolis. Via Jornal Razão


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